Calendário de imunização do prematuro

Os calendários de imunização servem para nortear os profissionais de saúde e a população a respeito das vacinas que devem receber.

Quando o assunto é prevenção de doenças, é melhor não descuidar. Hepatite B, tuberculose, gripe, pneumonias, bronquiolite, coqueluche são doenças hoje passíveis de prevenção por vacinas, contra as quais as crianças precisam ser imunizadas.

Um calendário tem como principal objetivo definir a melhor época de iniciar a prevenção, quais as doenças que devem ser prevenidas, o número necessário de doses, seus intervalos e doses de reforço, enfim, qual o esquema ideal a ser colocado em prática.

Além do calendário para o prematuro, existem outros: da mulher, da criança, do adolescente e o calendário ocupacional, que podem ser acessados no site www.sbim.org.br.

Converse com o seu médico e lembre-se: prevenir é sempre o melhor remédio!

« Selecione no quadro ao lado, uma vacina para visualizar sua indicação adequada OBS: As demais vacinas do Calendário de Vacinação da CRIANÇA devem ser aplicadas de acordo com a idade cronológica.



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Por que o prematuro necessita de uma imunização especial?

São várias as condições que tornam os prematuros mais sujeitos a risco. Além de sua imaturidade imunológica, muitas vezes esses pequenos pacientes, devido à longa permanência nas UTIs neonatais, acabam não sendo amamentados, sendo privados assim desse importante fator de proteção.

Além disso, muitas vezes estão recebendo medicamentos que reduzem a sua imunidade, são portadores de doenças pulmonares e cardíacas, anemias e outras condições debilitantes.

Aspectos anatômicos, como as reduzidas dimensões de suas vias aéreas, contribuem para a ocorrência de doenças das vias respiratórias. É comum o atraso no início da imunização do prematuro, quer por receio de aplicar as vacinas, quer por insegurança com relação à sua eficácia protetora. De uma maneira geral o calendário vacinal deve respeitar a idade cronológica da criança, e os atrasos devem ser evitados.

Observação

RECÉM-NASCIDO HOSPITALIZADO: Deverá ser vacinado com as vacinas habituais, desde que clinicamente estável. Não usar vacinas de vírus vivos: pólio oral e rotavírus.

PROFISSIONAIS DE SAÚDE E CUIDADORES: Todos os funcionários da Unidade Neonatal, pais e cuidadores devem ser vacinados contra o influenza e receber uma dose da vacina tríplice acelular do tipo adulto, a fim de evitar a transmissão da influenza e da coqueluche ao recém-nascido.

VACINAÇÃO EM GESTANTES E PUÉRPERAS: A imunização da gestante contra a influenza. É uma excelente estratégia na prevenção da doença em recém-nascidos nos primeiros 6 meses de vida, época que ele ainda não pode receber a vacina. A prevenção do tétano neonatal não deve ser esquecida, e o momento do puerpério é oportuno para receber as vacinas contra doenças para as quais a puérpera seja suscetível: hepatite B, hepatite A, rubéola, sarampo, caxumba, varicela, coqueluche e febre amarela.

Comentários

1 » BCG: É a vacina que protege contra a tuberculose, aplicada em dose única no primeiro mês de vida. Tem especial eficácia contra as formas graves da doença, e é aplicada através de uma injeção intradérmica do bacilo atenuado no braço direito. Cerca de 30 a 45 dias após a aplicação, surge no local uma ferida, e esta forma uma bolha, que se rompe e a ferida cicatriza. Esse processo é conhecido como a “pega vacinal”. Em prematuros, deve-se aguardar atingir pelo menos dois quilos de peso para a sua aplicação, para se obter o benefício da imunização. .

2 » HEPATITE B: A hepatite B é uma importante doença que atinge uma parcela significativa da população de muitos países. Quando adquirida precocemente costuma evoluir para formas crônicas, que podem culminar em cirrose e câncer de fígado. A transmissão da mãe para o filho pode ocorrer naquelas gestações em que a mãe é portadora do vírus. Toda gestante deve ser testada durante o pré-natal, e em caso de positividade o recém-nascido deve receber, logo ao nascimento, além da vacina, uma imunoglobulina específica para a sua proteção. Todas as crianças devem receber três doses da vacina: ao nascer, com um ou dois meses, e a terceira dose aos seis meses de vida. Prematuros nascidos com peso inferior a 2.000 g respondem de forma inferior, quando comparados a recém-nascidos a termo, após a aplicação da vacina contra hepatite B. Por esse motivo devem receber um esquema de quatro doses: ao nascer, com um mês, aos dois meses e aos sete meses de vida. Esse esquema assegura adequada proteção contra a doença..

3 » PALIVIZUMABE: Não se trata de uma vacina, mas de imunobiológico para imunização passiva com anticorpo monoclonal contra o vírus sincicial respiratório (VSR), indicado para o RN pré-termo de risco, nos meses de maior circulação do VSR em nosso país (março a setembro). É altamente recomendado para prematuros com idade gestacional menor de 28 semanas com até 1 ano de idade, e para RN com displasia broncopulmonar e cardiopatas em tratamento clínico nos últimos seis meses com até 2 anos de idade. É recomendado para os demais prematuros até o sexto mês de vida, especialmente para aqueles com idade gestacional de 29 a 32 semanas, ou maiores de 32 semanas que apresentem dois ou mais fatores de risco: criança institucionalizada, irmão em idade escolar, poluição ambiental, anomalias congênitas de vias aéreas e doenças neuromusculares graves. Emprega-se a dose habitual de 15 mg/kg de peso, em cinco doses mensais consecutivas, aplicadas por via intramuscular.

4 » PNEUMOCÓCICA CONJUGADA: Doenças pneumocócicas são aquelas causadas por uma bactéria chamada Streptococcus pneumoniae, conhecido como pneumococo. Ela é capaz de causar desde infecções leves de vias aéreas superiores, como otites e sinusites, até doenças graves, como pneumonias e meningites. Existem mais de 90 tipos de pneumococos, conhecidos como sorotipos, e as vacinas utilizadas na criança, multivalentes, contêm os principais sorotipos causadores de doença grave nessa faixa etária. O prematuro apresenta risco aumentado de infecção pelo pneumococo, risco esse que aumenta quanto mais prematuro é o bebê e quanto menor peso ele tem ao nascer. A vacina deve ser aplicada no esquema de três doses no primeiro ano de vida, aos 2, 4 e 6 meses, com um reforço aos 15 meses de idade. Se o bebê, ao completar os dois meses, ainda estiver hospitalizado, o esquema deve ser iniciado ainda no berçário, já que a vacina se mostrou eficaz em prematuros, sem apresentar efeitos colaterais importantes.

5 » INFLUENZA: O vírus influenza causa epidemias anuais de gripe, atingindo anualmente cerca de 10% a 20% de toda a população mundial.É responsável por um grande número de visitas médicas, hospitalizações e faltas ao trabalho e por um também grande uso de medicamentos e antimicrobianos, além de poder eventualmente levar à morte.Os grupos mais vulneráveis e susceptíveis de apresentar forma grave da doença são os extremos das idades, ou seja, a criança e o idoso. Nessas faixas etárias é que se concentra a maior parte das internações e dos óbitos.Na faixa etária pediátrica, o prematuro tem maior risco de desenvolver complicações como pneumonias, otites e bronquite, ou ainda descompensando alguma doença crônica pulmonar ou cardíaca.É fundamental a aplicação da vacina contra o influenza nessas crianças a partir de seis meses de vida, antes do inverno. Pais, cuidadores e profissionais de saúde envolvidos no atendimento do prematuro devem também ser imunizados.

6 » POLIOMIELITE: A poliomielite, ou paralisia infantil, felizmente está erradicada das Américas, após extensas campanhas de vacinação que utilizaram a vacina oral Sabin. Entretanto, não se pode descuidar, pois, como a doença ainda ocorre em algumas áreas do planeta, há risco de reintrodução da doença. Por se tratar de uma vacina produzida com vírus vivos e atenuados, deve-se evitar o seu uso intra-hospitalar, já que existe o risco de disseminação do vírus vacinal no ambiente. Hoje contamos com uma vacina inativada, isto é, produzida com o vírus morto, que pode ser utilizada dentro das UTIs neonatais. A vacina é segura e eficaz, e pode ser aplicada segundo o mesmo calendário e combinada na mesma injeção da tríplice bacteriana, num esquema de cinco doses, aos 2, 4 e 6 meses, com reforço aos 15 meses e aos 4 anos de idade.

7 » ROTAVÍRUS: O rotavírus é o principal agente causador de diarreias na infância, sendo responsável por um grande número de casos de hospitalização e mortes em todo o mundo, especialmente em países em desenvolvimento. Há muitos anos se buscava uma vacina segura e eficaz contra essa doença, e na última década foram desenvolvidas vacinas orais que são capazes de estimular a proteção, evitando inúmeros casos da doença em países que implementaram a vacina em seu programa nacional de imunizações. Dependendo do fabricante, a vacina pode ser aplicada em duas ou três doses, aos 2, aos 4 e, se for o caso de uma terceira dose, aos 6 meses de idade. O prematuro hospitalizado não deve receber a vacina, que é feita com vírus vivos e oferece risco potencial de disseminação do vírus vacinal dentro da terapia intensiva neonatal.

8 » TRÍPLICE BACTERIANA: Evita três importantes doenças, felizmente hoje controladas através do uso em larga escala dessa vacina combinada. Embora extremamente segura, é uma vacina que muitas vezes pode levar a alguns eventos adversos, como febre, irritabilidade e dor no local da aplicação. O uso de uma formulação acelular dessa vacina reduz bastante a probabilidade de reações e deve, sempre que possível, ser a escolha no calendário do prematuro. São dadas 5 doses na infância, aos 2, 4 e 6 meses, e dois reforços, aos 15 meses e aos 4 anos de idade.

9 » MENINGITE POR HAEMOPHILUS: Era a principal causa de meningites graves em crianças antes da introdução da vacina no Programa Nacional de Imunizações (PNI). A utilização da vacina em larga escala em nosso país fez essa temida doença praticamente desaparecer. A bactéria é também causadora de outras doenças graves, como pneumonias, epiglotites e septicemias. A utilização dessa vacina em prematuros é segura e eficaz, devendo ser também aplicada em três doses no primeiro ano de vida, aos 2, 4 e 6 meses, e somente um reforço aos 15 meses. A combinação na mesma injeção com a vacina tríplice bacteriana reduz o número de injeções.

10 » MENINGITE C: O meningococo é uma bactéria causadora de doenças graves em crianças e adolescentes, e eventualmente pode causar surtos em uma população. Existem alguns sorogrupos de meningococo, especialmente os sorogrupos A, C, W e Y, e destes o grande predomínio em nosso meio é do C. A vacina contra a meningite C é conjugada, isto é, é capaz de desencadear resposta imune adequada já a partir dos dois meses de idade. A vacina é segura e raramente leva a eventos adversos, e não deve ter sua aplicação postergada em prematuros, que devem receber um esquema de três doses, aos 3, 5 e 15 meses de idade.

11 » VÍRUS SINCICIAL RESPIRATÓRIO: O VSR é o principal agente causador de doenças respiratórias em crianças menores de 2 anos de idade, responsável por quadros de bronquiolite e pneumonias, que muitas vezes levam à hospitalização dessas crianças. É um vírus sazonal, ou seja, circula somente numa determinada época do ano. Nas regiões Sul e Sudeste, entre o outono e o inverno (março a setembro), e nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, na estação das chuvas (a partir de dezembro e janeiro), precedendo a estação do sul do país. A infecção ocorre em todas as idades, porém são os lactentes os que mais padecem da enfermidade, apresentando chiados, tosse e falta de ar. Crianças maiores, adolescentes e adultos exibem um quadro clínico mais leve, que lembra um resfriado comum; todavia são eles muitas vezes que infectam os pequenos bebês. Prematuros, portadores de doença pulmonar crônica e cardiopatas são considerados os grupos de maior risco para infecção grave. São considerados fatores de risco para a infecção: desmame precoce, irmão em escola, domicílio populoso, exposição ao tabaco e o uso de drogas que diminuem a imunidade.Os prematuros, por apresentarem um sistema imune frágil, costumam ser hospitalizados 10 vezes mais que recém-nascidos a termo pelo VSR, por isso a grande preocupação de prevenir a doença nesse grupo.Não há uma vacina contra o VSR, porém a proteção pode ser obtida através da utilização de uma imunoglobulina específica contra ele, que nada mais é do que um anticorpo pronto, direcionado contra o vírus, que é conhecido como palivizumabe.Ele deve ser oferecido aos lactentes de risco durante a sua fase de circulação (sazonalidade).São considerados recém-nascidos altamente recomendados para receber a profilaxia os prematuros nascidos com menos de 28 semanas de gestação (sete meses) e os portadores de doença cardíaca e de doença respiratória crônica. Pré-termos nascidos com 29 a 32 semanas também podem se beneficiar da prevenção.São cinco doses mensais consecutivas, aplicadas através de uma injeção intramuscular, na dose de 15 mg por quilo de peso do bebê. Prematuros que recebem alta hospitalar durante a sazonalidade do VSR devem receber a primeira dose ainda na maternidade, antes da alta.

DEMAIS VACINAS: O calendário infantil deve ser seguido de acordo com a idade cronológica. A resposta imune às demais vacinas pode ser menor, mas em geral atinge níveis satisfatórios de proteção.